
Dia Internacional da Mulher
O Dia Internacional da Mulher é celebrado, anualmente, a 8 de março. Este dia é assinalado desde o início do século XX, embora com variações nas datas das celebrações. A ideia de uma comemoração anual tem um grande contexto histórico, o que fez com que este dia fosse tão importante.
Surgiu a 20 de fevereiro de 1909 com o Partido Socialista da América, que na altura organizou o Dia da Mulher com objetivo de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino. Um ano mais tarde, em 1910, durante as conferências de mulheres da Internacional Socialista, em Copenhaga, foi sugerido por Clara Zetkin (figura histórica do feminismo) que o Dia da Mulher passasse a ser celebrado todos os anos, sem haver uma data definida. A partir de 1913, as mulheres russas passaram a celebrar esta data com manifestações realizadas no último domingo de fevereiro. A 8 de março de 1917, organizou-se uma grande excursão de mulheres, em protesto contra a fome, o desemprego e a deterioração das condições de vida no país. Operários metalúrgicos acabaram por se juntar à manifestação, que se estendeu por dias e acabou por precipitar a Revolução Russa de 1917. Nos anos seguintes, o Dia da Mulher passou a ser comemorado nessa data, pelo movimento socialista, na Rússia e em alguns países do bloco soviético e que é marcado ainda hoje como feriado nacional. Em 1975, a ONU instituiu oficialmente o dia 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, mas só a 16 de dezembro de 1977 é que esta data viria a ser oficialmente reconhecida pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Atualmente, a data é celebrada em mais de 100 países, já em outros a data é amplamente ignorada.
Este dia pretende celebrar os direitos que as mulheres conquistaram até ao dia de hoje, relembrando o caminho para a igualdade. Defender causas como o direito ao voto, a igualdade salarial, a equidade social, a maior representação em cargos de liderança, a proteção em situações de violência física e/ou psicológica ou o acesso à educação continuam atuais porque, em vários pontos do globo, esses direitos continuam por cumprir. Seria de esperar que, em pleno século XXI, houvesse grandes mudanças, uma sociedade menos machista e um menor desrespeito para com estes direitos. A verdade é que a luta continua, e apesar de já se ter conquistado muita coisa desde 1917, ainda há muito por que lutar. É necessário sair à rua e protestar contra as injustiças. É necessário fazermo-nos ouvir. É necessário haver uma união e combater esta insubordinação. É necessário impedir que o machismo continue. Enquanto houver causa, há luta.
É de relembrar que o Dia Internacional da Mulher não é apenas um dia de celebração. Se olharmos bem à nossa volta, percebemos que este dia é comemorado por muita gente com o objetivo de mimar as mulheres, não dando grande ênfase à verdadeira causa. Nos dias atuais, considera-se que a celebração deste dia tenha tido o seu sentido original parcialmente dissolvido, adquirindo frequentemente um caráter festivo e comercial, como o hábito de empregadores distribuírem rosas vermelhas ou pequenos mimos entre as suas empregadas, ou até mesmo propaganda de grandes marcas com objetivo de vender mais produtos – ações que em nada evocam o espírito das manifestantes russas do 8 de março de 1917. Que se usem estas campanhas para reforçar a importância deste dia, a sua história, e não como um mero apelo ao consumismo.
Faz sentido, mesmo assim, celebrar o Dia Internacional da Mulher? Sim, sem dúvida que sim, hoje mais do que nunca. Mesmo havendo grandes mudanças feitas pela luta realizada todos os dias contra as desigualdades, há sempre a hipótese de voltarmos atrás na história e tudo o que foi conquistado ir por água abaixo. Assim, mais uma mulher acaba por ser uma vítima do patriarcado e do machismo. É por isto que lutamos, porque enquanto houver uma mulher vítima de preconceito, a luta ainda não acabou. Pela dor de cada um, pela dor de todas.
Madalena Paulo, Estudos Europeus, FLUL
