O que fará o PS?

No próximo dia 10 de março, o povo português terá a oportunidade de escolher o próximo governo constitucional. Nas últimas eleições, o Partido Socialista (PS) obteve uma maioria absoluta. De facto, foi uma vitória assertiva deste partido político.
No entanto, o surgimento da Operação Influencer ditou o fim da governação socialista. Por isso, o Presidente da República, Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, convocou eleições antecipadas, de modo a "dar a palavra ao povo". De acordo com as últimas sondagens da Universidade Católica, a Aliança Democrática (AD) será a força política vencedora. A AD alcançará cerca de 35% dos votos, mais 6% do que o PS (29%).
Posto isto, considerando o descrédito de alguns portugueses na classe política representada pelo Partido Socialista, e somando ainda a derrota eleitoral prevista pela respetiva sondagem, o que fará o PS?
Antes de mais, gostaria de apresentar uma breve contextualização histórica. O Partido Socialista foi fundado em 1973, durante a reta final do regime político autoritário conhecido por Estado Novo. O primeiro secretário-geral do PS foi Mário Soares, que algum tempo depois foi eleito, não só Primeiro-Ministro, como também Presidente da República Portuguesa. Em termos ideológicos, os seus membros consideravam-se socialistas democráticos e defensores da liberdade, da justiça social, da igualdade e dos Direitos Humanos.
Entretanto, ocorreu a Revolução do dia 25 de abril de 1974 que ditou o fim do Estado Novo e o início da Terceira República Portuguesa. Durante o período dos governos provisórios, Mário Soares adquiriu um prestígio notável, devido ao facto de apresentar uma oposição clara relativamente às políticas de Vasco Gonçalves, Álvaro Cunhal e outros quadros do Comité Central do Partido Comunista Português (PCP).
Em abril de 1975, o PS venceu as primeiras eleições legislativas democráticas. No ano seguinte, foi aprovada a mais recente Constituição Portuguesa, que ainda vigora nos dias de hoje. É impossível falar sobre a vida política de Portugal dos últimos 50 anos sem referir a presença do PS na liderança de diversos governos democraticamente eleitos. Além disso, a aproximação de Portugal às Comunidades Europeias em meados dos anos 80 do século passado, também é um marco importante, no que respeita à governação socialista no nosso país.
Nas últimas cinco décadas, o PS está associado a diversas situações polémicas que envolvem escândalos de pedofilia, práticas de corrupção, ocorrência de bancarrotas financeiras, etc. Ainda assim, muitos eleitores portugueses mantêm a sua confiança no Partido Socialista, e como tal decidem votar no mesmo.
O panorama político português tem sofrido algumas alterações, devido à entrada de novos partidos políticos, como o PAN, o LIVRE, o CHEGA e a Iniciativa Liberal. Aquilo que se verifica a nível europeu, incluindo no Parlamento da União Europeia, diz respeito ao enfraquecimento da influência das forças políticas de esquerda e o crescimento da preponderância dos partidos de direita, incluindo aqueles que estão situados no espaço antidemocrático.
Com base neste cenário, o que fará o PS para vencer estas eleições? Esta pergunta necessita de ter o seu espaço neste artigo, já que a vitória do PS está cada vez mais difícil de se verificar. Não obstante, caso os socialistas sejam mais uma vez vencedores da noite eleitoral, a sua vitória será validada sob quais condições?
Neste momento, gostaria de enfatizar os cenários mais prováveis:
Em síntese, as sondagens mais recentes anunciam a derrota do PS nas próximas eleições. Contudo, eu tentei explorar de uma forma coesa, quais são as hipóteses que poderão encaminhar este partido para o caminho que pretende seguir. Contudo, a concretização deste objetivo não será fácil. Além das disputas entre as diferentes forças políticas, também existe a necessidade de travar uma guerra contra a ignorância e a desinformação.
Pedro Moreira
