
Antissemitismo crescente na Europa
Perpetua-se atualmente uma problemática indistinção entre o anti-semitismo europeu e o anti-sionismo. De forma a combater a problemática desta questão, incito o leitor a ler atentamente a minha breve tentativa - nada pretensiosa - de apelar a uma consciencialização referente a um assunto que me afigura como de elevada importância.
Entende-se como anti-sionismo a oposição crítica da ideologia sionista. Por sua vez, o sionismo apresenta como principal objetivo a criação de um estado Israelita. Ora, uma questão bastante pertinente que se poderá levantar será, portanto, quais são os motivos para se criticar o estabelecimento deste mesmo estado. O problema essencial irá consistir nas medidas a que os sionistas recorrem para a prossecução deste mesmo objetivo. Durante a criação do estado Israelita, os direitos da população que habitava nesse mesmo território seriam postos em causa. A população palestina viria a experienciar um acontecimento a que se intitula como “Nakba” - isto é, uma catástrofe.
Por outro lado, entende-se como anti-semitismo o ódio indiscriminado e a desumanização de um indivíduo judeu pelo simples facto de ser judeu. Desta forma, a luta contra o anti-semitismo será também uma luta contra a opressão.
Tendo isto em conta, acredito que seja de fácil entendimento estabelecer as distinções entre os diferentes movimentos anteriormente abordados. No entanto, um erro bastante recorrente nos dias atuais, será o de estabelecer uma relação errónea entre ser-se anti-sionista, e ser-se anti-semitista. De forma a exemplificar as suas diferenças, irei recorrer a acontecimentos do mês de Outubro, onde irei abordar os ataques anti-semitas em Berlin (Alemanha) e no Daguestão (Rússia).
De acordo com os meios de comunicação russos, no dia 30 de Outubro, diversos indivíduos invadiram o aeroporto de Makhachakala após serem informados de que um avião oriundo de Telavive faria uma escala nesse mesmo local. Os relatos constam que este grupo de sujeitos estaria a verificar os passaportes dos passageiros de forma a comprovar se se tratavam de judeus ou não. Segundo o ministério do interior, a invasão resultou na detenção de sessenta indivíduos, bem como um total de nove policiais feridos, tendo sido dois deles, posteriormente, hospitalizados.
Já na Alemanha, “as preocupações com o aumento de anti-semitismo na Europa haveriam de aumentar desde o massacre de 7 de Outubro do Hamas à população de Israel”. Da mesma forma que na Alemanha Nazi as propriedades judaicas eram assinaladas com a Estrela de David, as mesmas haveriam de ser novamente fixadas em casas em Berlim.
Acontecimentos desta índole, são inequivocamente anti-semitas. Porém, facilmente manipulam a imagem atribuída ao anti-sionismo. Porque é que isto ocorre? Devido ao facto de frequentemente se estabelecer que uma ideologia acaba por levar à outra, ou pior, que ambas as ideologias são uma e a mesma coisa. Este acontecimento evidencia-se como algo imensamente perigoso, uma vez que torna o estabelecimento de críticas ao estado de Israel como passíveis de serem taxadas como anti-semitismo.
![Fonte: Viñeta [Cartoon Latuff / MiddleEastMonitor]](https://38de12e683.cbaul-cdnwnd.com/3f70a03ba56cd8dda972ae5f01e90d4b/200000342-8b88a8b88b/k.png?ph=38de12e683)
Tal raciocínio apresenta-se desprovido de qualquer tipo de espírito crítico, e narrativas desta índole são frequentemente adotadas como método de silenciar os críticos das medidas israelitas. A verdade é lógica e concisa: infelizmente, o anti-semitismo tem vindo a aumentar na Europa, assim como também tem vindo a aumentar o anti-sionismo. No entanto, o anti-semitismo crescente nada tem que ver com o aumento do anti-sionismo, uma vez que são duas ideologias distintas entre si. Será completamente irracional afirmar que o estabelecimento de críticas contra as medidas efetuadas por Israel se apresentem como anti-semitas. As críticas aos abusos dos direitos humanos por parte de Israel não são apenas legítimas; mas também apropriadas e necessárias.
Filipa Santana
