
A proxy war: um ano de conflito militar na Ucrânia
Assinala-se hoje, dia 24 de fevereiro, um ano desde o início da invasão da Ucrânia pela Federação Russa, que teve início em 2022, para choque de grande parte da Comunidade Internacional, que assistiu a um movimento significativo de tropas no continente europeu gerador de uma das maiores crises de refugiados das últimas décadas.
Falar em números, quando o conflito ainda não tem um fim previsível, é uma tarefa árdua, quiçá impossível: ambos os lados estão a maquilhar pesadamente os números de baixas e a inflacionar qualquer vitória militar, fazendo com que se torne praticamente impossível fazer uma análise adequada deste conflito de um ponto de vista meramente militar.
A primeira vítima da guerra é sempre a verdade - só teremos números adequados à realidade quando todo o conflito for uma memória dolorosa do passado; até lá, apenas temos estimativas e especulações, dificultando análises aprofundadas e sabotando todo o processo de compreensão da verdadeira escala do conflito.
Aquilo que podemos auferir deste movimento militar em particular afasta-se de números: a invasão da Ucrânia é um sintoma: um sintoma das relações mal resolvidas da Guerra Fria, um sintoma da questão da Crimeia, um sintoma de tensões que nunca se dissiparam, por muito que a comunidade internacional as quisesse varrer para debaixo do tapete como se fossem apenas fantasmas do passado.
Pois bem, os fantasmas regressaram para assombrar a Europa e, notoriamente, não estávamos preparados para a materialização de algo que nunca desapareceu.
Um ano depois dessa materialização, torna-se claro que uma Europa já duas vezes devastada por guerras horrendas parece ter memória curta: o ódio pelo outro lado e a necessidade de tentar provar algo parece ser mais importante do que trabalhar para a paz e tentar parar a guerra. Deveria ser consensual que os atos da Federação Russa são absolutamente criminoso, mas escalar o conflito em vez de o tentar mitigar não parece ser uma solução particularmente inteligente por parte dos membros da União Europeia e NATO - que, aliás, são parte integrante da motivação da Federação Russa para a invasão, em primeiro lugar.
A consequência de toda esta gestão é uma quantidade de perdas humanas que ainda nem sequer somos capazes de precisar e um aumento significativo das tensões internacionais.
Um ano depois do início do conflito, quanto tempo demorará até que se atinja uma paz minimamente consistente? Apenas o tempo dirá, enquanto vemos pessoas desalojadas e vidas perdidas por ganância e ódio que não são seus.
O Núcleo de Estudantes de Estudos Europeus da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - NESTEU, apresenta as mais sinceras condolências por todas as vidas perdidas no conflito e condena veementemente a violência contra os povos ucraniano e russo
Beatriz Mestre, Estudos Europeus, FLUL
