A proxy war: um ano de conflito militar na Ucrânia

24-02-2023

Assinala-se hoje, dia 24 de fevereiro, um ano desde o início da invasão da Ucrânia pela Federação Russa, que teve início em 2022, para choque de grande parte da Comunidade Internacional, que assistiu a um movimento significativo de tropas no continente europeu gerador de uma das maiores crises de refugiados das últimas décadas.

Falar em números, quando o conflito ainda não tem um fim previsível, é uma tarefa árdua, quiçá impossível: ambos os lados estão a maquilhar pesadamente os números de baixas e a inflacionar qualquer vitória militar, fazendo com que se torne praticamente impossível fazer uma análise adequada deste conflito de um ponto de vista meramente militar.

A primeira vítima da guerra é sempre a verdade - só teremos números adequados à realidade quando todo o conflito for uma memória dolorosa do passado; até lá, apenas temos estimativas e especulações, dificultando análises aprofundadas e sabotando todo o processo de compreensão da verdadeira escala do conflito.

Aquilo que podemos auferir deste movimento militar em particular afasta-se de números: a invasão da Ucrânia é um sintoma: um sintoma das relações mal resolvidas da Guerra Fria, um sintoma da questão da Crimeia, um sintoma de tensões que nunca se dissiparam, por muito que a comunidade internacional as quisesse varrer para debaixo do tapete como se fossem apenas fantasmas do passado.

Pois bem, os fantasmas regressaram para assombrar a Europa e, notoriamente, não estávamos preparados para a materialização de algo que nunca desapareceu.

Um ano depois dessa materialização, torna-se claro que uma Europa já duas vezes devastada por guerras horrendas parece ter memória curta: o ódio pelo outro lado e a necessidade de tentar provar algo parece ser mais importante do que trabalhar para a paz e tentar parar a guerra. Deveria ser consensual que os atos da Federação Russa são absolutamente criminoso, mas escalar o conflito em vez de o tentar mitigar não parece ser uma solução particularmente inteligente por parte dos membros da União Europeia e NATO - que, aliás, são parte integrante da motivação da Federação Russa para a invasão, em primeiro lugar.

A consequência de toda esta gestão é uma quantidade de perdas humanas que ainda nem sequer somos capazes de precisar e um aumento significativo das tensões internacionais.

Um ano depois do início do conflito, quanto tempo demorará até que se atinja uma paz minimamente consistente? Apenas o tempo dirá, enquanto vemos pessoas desalojadas e vidas perdidas por ganância e ódio que não são seus.


O Núcleo de Estudantes de Estudos Europeus da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa - NESTEU, apresenta as mais sinceras condolências por todas as vidas perdidas no conflito e condena veementemente a violência contra os povos ucraniano e russo


Beatriz Mestre, Estudos Europeus, FLUL

Núcleo de Estudos Europeus da Universidade de Lisboa
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